Luc_Besson_-_II_-_ARTHUR_E_A_CIDADE_PROIBIDA.doc

(883 KB) Pobierz
Arthur e a Cidade proibida

 

 

LUC BESSON

Baseado na idéia original de Celine GARCIA

volume 2

image001.jpg

http://groups.google.com/group/digitalsource

 

 

capítulo 1

O sol se pôs no horizonte aos poucos, como se desejasse dispensar as pessoas do calor. Ele sabia que ninguém suportaria suas chamas ardentes durante um dia inteiro.

Alfredo, o cachorro, abriu um olho. Uma pequena brisa alertara-o de que a temperatura estava finalmente suportável. O cão levantou devagar, espichou as patas, saiu da sombra que encontrara a um canto do jardim e foi procurar um pedaço de grama fresca para marcar território. Ele quase escolheu um dos ângulos da casa, mas, de tanto marcá-lo, o canto já estava amarelado fazia muito tempo.

Um jovem falcão, empoleirado no topo da alta chaminé, observava as redondezas. Ele parecia não temer o calor nem ninguém. Nem mesmo o cachorro, que passava pelo jardim com as patas pesadas, ainda cheio de sono.

A ave de rapina acompanhou-o com seu olhar aguçado. Foram apenas alguns segundos, mas o suficiente para perceber que aquela presa era grande demais para ele. Perdendo o interesse, virou a cabeça para o lado e começou a procurar outra vítima.

A casa também sofrera durante todo o dia com os ataques do verão, e as portas de madeira e as telhas estalavam sem parar. Eram estalidos secos, regulares, como notas musicais embaladas pelo sol.

Nesse dia o sol incomodara todo o mundo, e já era tempo de ele se deitar.

Como se quisesse avisá-lo de que a hora de ir dormir chegara, o falcão deu um pequeno grito, rouco e forte, um grito desagradável que acordou vovó.

Vovó adormecera em cima do sofá, no meio da sala.

E bem verdade que, com o frescor da sala e o tique-taque hipnótico do grande relógio de pêndulo, era praticamente impossível resistir à chamada da sesta. E, se acrescentarmos os dois grilos que tagarelavam sem parar, qualquer pessoa dormiria até de noite.

Mas o falcão despertara vovó. Ela abriu os olhos sobressaltada, atrapalhando-se um pouco com a capa de algodão que protegia o encosto do sofá e que ela deveria ter puxado para se cobrir enquanto dormia.

Vovó voltou aos poucos para a realidade. Ela recolocou a capa de algodão no lugar, como se desejasse apagar qualquer vestígio daquela sesta imprevista. Como se adormecer naquelas circunstâncias fosse obra do inconsciente.

Isso fez com que ela se lembrasse das circunstâncias atuais e de Arthur, seu adorado e único neto. O neto que desaparecera da mesma forma que seu marido, exatamente quatro anos antes. O neto que desaparecera no jardim, exatamente como seu marido. E que, exatamente como seu marido, também saíra atrás de um tesouro.

De nada adiantara revirar o jardim de uma ponta a outra, vasculhar todos os cantos da casa, gritar seu nome por todas as colinas vizinhas. Ela não encontrara nenhuma pista de seu pequeno Arthur.

Para ela só havia uma resposta: a culpa era dos extraterrestres! Aqueles homenzinhos verdes haviam descido do céu numa nave espacial e seqüestrado seu neto. Ela tinha quase certeza de que tinha sido isso. Como alguém não haveria de querer ficar com aquele menininho adorável, que ela gostava tanto de apertar nos braços o dia todo? Aquela cabecinha loura despenteada, com seus dois grandes olhos castanho-claros, que se arregalavam espantados com qualquer coisa? Aquela vozinha de criança, tão suave e frágil como uma bolha de sabão? Arthur era o mais belo de todos os tesouros, e sem ele sua avó estava desamparada. Ela não conseguiu conter a lágrima que deslizou por uma das faces.

Diante de uma tristeza tão profunda, até a vergonha de chorar desaparecia. Ela olhou para o céu sem nuvens através da janela. O azul celeste imaculado estava desesperadamente vazio, e não havia o menor indício de extraterrestres.

Vovó deu um longo suspiro e, aos poucos, voltou à realidade. Olhou ao redor, para aquela casa muda e incapaz de lhe fornecer qualquer informação.

- Como fui adormecer? - perguntou-se, esfregando os olhos.

Ainda bem que o falcão a acordara. Mas o objetivo da jovem ave de rapina não havia sido apenas esse, pois seguiu-se outro grito.

Vovó aguçou os ouvidos. Ela estava preparada para aceitar tudo como um sinal do destino, uma ponta de esperança.

Com olhar afiado e audição apurada, o falcão certamente vira, ou ouvira, algo. Vovó tinha certeza disso. Aliás, ela não estava completamente errada. A ave de rapina estava de fato enviando sinais para avisar não se sabe quem. O falcão vira e ouvira alguma coisa antes mesmo que uma pessoa pudesse percebê-la na linha do horizonte.

Essa coisa era um automóvel. Ele vinha acompanhado por uma auréola de poeira que o sol se divertia em fazer brilhar. Ainda não se escutava barulho de motor.

Sempre empoleirado no alto da chaminé, o falcão examinou o automóvel como se estivesse equipado com um radar.

No sofá, vovó aprumou o corpo suavemente. Entretanto, por mais que aguçasse os ouvidos, ela não conseguia ouvir nem um som. Ou muito pouco. Um rumor distante, talvez.

O falcão piou duas vezes, como se estivesse contando quantas pessoas havia dentro do carro.

Apesar da brisa suave que parecia querer levá-lo para longe, o barulho surdo e desagradável do motor tornou-se, então, audível.

Foi quando o falcão decidiu ir embora, o que era mau sinal. Ele via e ouvia tudo antes de qualquer um. Será que também pressentira o desastre que se aproximava da casa de forma implacável?

O automóvel desapareceu atrás de um monte, que era pequeno demais para ser considerado uma colina e grande demais para ser chamado de meia-laranja.

Vovó pigarreou, como se quisesse quebrar o silêncio de chumbo. O barulho que ela tivera a impressão de ouvir desaparecera outra vez.

Ela virou a cabeça devagar como se gira uma antena parabólica quando se quer captar melhor o sinal. A grelha do radiador do automóvel reapareceu detrás de uma moita, exibindo seus velhos cromados. O barulho do motor inundou imediatamente a propriedade, e as árvores ecoaram um trepidar horroroso.

Assustada, vovó ficou de pé. Ela não tinha mais dúvidas: o falcão certamente lhe enviara um sinal. Arrumou os cabelos, ajeitou o vestido, alisou a capa do sofá mais uma vez e, muito nervosa, começou a procurar as pantufas.

O ruído do automóvel parecia invadir a sala, e o saibro em que as rodas tocavam dava a impressão de que uma engenhoca acabara de aterrissar na frente da casa.

Vovó desistiu de procurar o segundo pé da pantufa e caminhou até a porta arrastando o pé calçado, o que lhe dava o andar claudicante de um velho pirata de perna de pau.

Para seu alívio, o motor parou.

A porta do automóvel guinchou como uma velha doninha, e um par de sapatos de couro gasto pisou no saibro, o que não indicava boa coisa. O falcão fizera muito bem em partir.

Vovó conseguira chegar à porta da entrada e lutava com a chave.

- Com mil diabretes, por que fui trancar a porta? -, perguntou-se com um resmungo e de cabeça baixa, sem perceber as duas silhuetas que o sol delineava atrás do vidro.

A chave resistiu um pouco, mas acabou girando na fechadura e abrindo a porta.

Vovó ficou tão surpresa que não pôde evitar um gritinho, certamente de horror. No entanto, o casal sorridente parado na soleira da porta não tinha nada de horrível, exceto pelo péssimo gosto: a mulher usava um vestido florido com motivos de fúcsias e o homem exibia um paletó quadriculado em tons verdes de titica de galinha.

E verdade que o conjunto chegava a doer nos olhos, mas não era motivo para gritar. Vovó prendeu o segundo grito na garganta e tentou transformá-lo em um relincho acolhedor.

- Surpresa! - cantarolou o casal num dueto perfeito. Vovó afastou um pouco os braços e fez o impossível para abrir um sorriso, que devia parecer o mais natural possível. Enquanto a boca dizia 'bom-dia', os olhos gritavam 'socorro!'.

- E que surpresa! Mas isso é o que eu chamo de surpresa! - acabou dizendo para os pais de Arthur, que, parados diante dela, eram tão reais como um pesadelo.

Vovó continuou sorrindo enquanto bloqueava a porta com o corpo igual a um goleiro. Como ela não saía do lugar e limitava-se a sorrir feito boba, o pai fez a pergunta que ela mais temia:

- Onde está Arthur? - perguntou ele alegremente, sem duvidar da resposta nem por um instante.

Vovó sorriu ainda mais, como se esse sorriso bastasse como resposta e ela não fosse obrigada a mentir. Mas o pai de Arthur, que era tolo demais para entender a sutileza, continuou aguardando uma resposta.

Vovó recuperou o fôlego e respondeu com outra pergunta:

- Fizeram boa viagem?

Essa não era de fato a resposta que ele esperava, mas, como excelente motorista, engatou uma segunda marcha e começou a falar da viagem:

- Pegamos as estradas que passam pelo lado oeste. São mais estreitas, mas, segundo meus cálculos, ganhamos 42 quilômetros. O que dá, com o litro da gasolina a...

- O que deu uma curva a cada três segundos durante duas horas seguidas! - intrometeu-se a mãe de Arthur. - Foi uma viagem horrível, e eu agradeço aos céus por Arthur não ter precisado passar por um sofrimento desses. - E acrescentou: - Por falar em Arthur, onde está ele?

- Quem? - perguntou vovó, como se estivesse ouvindo vozes.

- Arthur. Meu filho - respondeu a mãe um pouco inquieta, não pelo filho, mas pelo estado mental da mãe. Talvez fosse o calor...

- Aaah! Arthur! Ele vai ficar muito contente de ver vocês - exclamou vovó.

Os pais entreolharam-se, perguntando-se se a velha não ensurdecera de vez.

- On-de-es-tá-Ar-thur? - articulou lentamente o pai, como se estivesse pedindo informações a um camponês tibetano.

Vovó sorriu ainda mais e meneou a cabeça afirmativamente. Como a resposta não convenceu ninguém, ela foi obrigada, afinal, a dizer alguma coisa.

- Ele está... ele está com o cachorro.

Era quase uma mentira, mas a resposta pareceu satisfazer o jovem casal, que se acalmou.

Foi esse o momento exato que Alfredo escolheu para aparecer abanando o rabo e destruir o álibi perfeito da avó com uma única tacada. Vovó viu seu sorriso desbotar como uma velha pintura nos olhos dos pais de Arthur.

- Onde está Arthur? - tornou a perguntar a mãe, em um tom de voz bem mais firme.

Vovó sentiu vontade de estrangular Alfredo por ter arruinado seu jogo, porém limitou-se a fuzilá-lo com os olhos.

O rabo de Alfredo foi diminuindo de velocidade. Ele sentira que devia ter feito alguma bobagem e se confessava culpado antes que o acusassem.

- Estavam brincando de esconder, não é? - perguntou vovó para o cachorro, que fez de conta que sim. - Esses dois adoram brincar de esconde-esconde. Eles brincam de esconde-esconde durante dias e dias! Arthur se esconde e...

- ... e é o cachorro que bate cara? - completou o pai, perguntando-se se a sogra não estaria zombando dele.

- Mas é isso mesmo! Alfredo conta até cem e depois vai procurar Arthur!

Não se dizem absurdos como esse, muito menos com uma convicção inabalável.

Os pais entreolharam-se de novo. Eles realmente estavam ficando muito preocupados. Aquele comportamento cheirava a asilo.

- E... por acaso você sabe onde Arthur costuma se esconder? - perguntou o pai gentilmente para não a confundir ainda mais.

Vovó balançou a cabeça de modo enérgico, o que correspondia a um sim honesto e firme.

- No jardim!

Nunca uma mentira estivera tão próxima da verdade.

 

capítulo 2

 

E, bem no fundo do jardim, deslizando pelas imensas folhas de grama e acompanhando a galeria de formigas que mergulhava nas entranhas da terra, lá onde nascem as raízes das árvores ficava uma das bases de um antigo muro construído pelas mãos dos homens.

Nesse muro erodido pelo tempo havia uma pequena fenda entre as pedras. No entanto, se você tivesse apenas dois milímetros de altura, a fenda deixaria de ser pequena e se transformaria naquele desfiladeiro impressionante em cuja borda nossos três heróis caminhavam.

Selenia, como sempre, ia na dianteira. A princesa, que parecia não ter perdido nem um pouco do vigor, dava a impressão de que todos os seus pensamentos estavam voltados para sua missão. Ela ignorava completamente o vazio absoluto que margeava o caminho e seguia ao longo da trilha como se estivesse passeando por uma grande avenida.

Atrás dela, mas nunca muito distante, vinha Arthur, sempre fascinado com tudo aquilo que estava lhe acontecendo. Ele, que algumas horas antes se sentira complexado por medir apenas um metro e trinta centímetros de altura, agora se orgulhava de seus dois milímetros e agradecia aos céus todos os segundos daquela aventura que tanto o enriquecera e que fortalecera seus músculos dos pés à cabeça.

O menino respirou profundamente, como se quisesse aproveitar melhor aquele instante. Ou talvez fosse apenas para inflar um pouco mais o peito. Assim como alguns animais costumam fazer na época de acasalamento. Nem é preciso dizer que Arthur olhava mais para Selenia do que para o abismo.

Mas também não podemos deixar de mencionar que a moça era bonita, que tinha o corpo de uma deusa, o caráter de um porco-espinho, o olhar de uma pantera e o sorriso de uma criança. Mesmo de costas ninguém duvidava de que era uma princesa. Tudo isso transparecia no olhar de Arthur, que a seguia como se fosse Alfredo, seu cachorro.

Betamecha estava um pouco mais atrás, como se o fato de ser o último da fila fizesse parte de suas funções. Sua mochila continuava entulhada de mil coisas que não serviam para nada, exceto, talvez, para fazer peso e evitar que saísse voando pelos ares.

-Anda mais depressa, Betamecha! Não podemos perder tempo! - advertiu-o a irmã com seu mau humor habitual quando se tratava dele.

Betamecha sacudiu a cabeça em sinal de insatisfação, soltou um longo suspiro e reclamou:

- Eu não agüento mais carregar essas coisas! - E quem mandou você trazer a metade da aldeia? - respondeu a princesa, sempre implicante.

- A gente não podia se revezar? Assim eu descansaria um pouquinho e vocês iriam mais depressa - propôs o irmão com a esperteza de um chimpanzé.

Selenia se deteve, olhou para o irmão e disse: -Você tem razão. Assim ganharemos tempo. Me dê a mochila.

Feliz da vida, Betamecha tirou a mochila das costas e entregou-a para a irmã, que com um gesto seco a atirou no abismo.

- Pronto. Agora você se cansa menos e nós não perdemos mais tempo - asseverou a princesa. - Vamos!

Horrorizado, Betamecha observou sua mochila desaparecer no precipício sem fundo. Ele não conseguia acreditar no que seus olhos viam. Seu queixo teria se soltado se não houvesse um pequeno músculo próprio para esse fim.

Arthur não se intrometeu na conversa. Ele não tinha a menor intenção de se meter naquela briga de família, tanto que, de repente, ficou muito interessado em contar os cristais incrustados em uma das paredes do rochedo.

Betamecha fervilhava de raiva. Sua boca estava cheia de insultos pedindo para escapulir.

- Você não passa de uma... uma pestinha! - limitou-se em gritar.

Selenia sorriu.

- Essa pestinha tem uma missão a cumprir que não permite nenhum atraso, e se meu ritmo não lhe agrada, volte para casa.

- Você poderá contar suas façanhas para o rei e se deixar mimar por ele.

- Ele pelo menos tem um coração! - revidou Betamecha, seguindo-a de longe.

- Então aproveite, porque o próximo rei não terá nenhum.

- Quem será o próximo rei? - perguntou Arthur timidamente.

- O próximo rei sou eu! - respondeu Selenia, erguendo o queixo, orgulhosa.

Arthur começava a entender um pouco melhor a questão do futuro rei dos minimoys, mas queria saber mais.

- É por isso que você precisa se casar daqui a dois dias? - perguntou, sempre muito tímido.

- É. Eu preciso escolher o príncipe antes de assumir minhas funções de rainha. E assim. E a regra - respondeu Selenia, acelerando o passo para evitar mais perguntas.

Arthur suspirou. Se ao menos tivesse mais tempo... Tempo para descobrir se aquele calorzinho que sentia no peito, e que muitas vezes subia até o rosto, podia ser considerado uma manifestação de amor... tal como as mãos, que ficavam suadas sem nenhum motivo aparente, e a pequena febre que ardia em sua testa...

O tempo para entender a palavra 'amor'. Uma palavra grande demais para ele. Tão grande que ele não sabia por onde começar.

Ele amava sua avó; amava seu cachorro, amava seu carro, mas não tinha coragem de dizer a Selenia que a amava. Aliás, bastou que pensasse nessa possibilidade para que seu rosto ficasse todo vermelho.

- Você está se sentindo bem? - perguntou a princesa, achando graça no rosto corado de Arthur.

- Estou! - balbuciou o menino, corando ainda mais. - E o calor. Aqui está fazendo muito calor.

Selenia sorriu. Ela sabia que era mentira. Sem parar de caminhar, arrancou uma das estalactites penduradas no teto do rochedo e entregou o pedaço de gelo para Arthur.

- Passe na testa, você se sentirá melhor.

Arthur agradeceu e apertou o pedaço de gelo contra a fronte.

Selenia sorriu ainda mais. Ela sabia perfeitamente que o calor que Arthur sentia não tinha nenhuma relação com a temperatura daquele abismo gelado sem fim, que devia estar quase abaixo de zero.

Mas as princesas de verdade são assim mesmo. Elas estão sempre prontas para se divertirem à custa dos sentimentos dos outros, porque os únicos sentimentos que contam são os delas próprias.

O pedaço de gelo derretera, e Arthur hesitava em pegar outro.

De repente sentiu um impulso motivado pelo orgulho ou pela coragem. Aproximou-se mais de Selenia para entabular uma conversa.

Será que o amor lhe daria asas?

- Selenia, posso fazer uma pergunta pessoal?

- Pergunte, só não sei se vou responder - retrucou a princesa maldosamente.

- Você precisa escolher um marido daqui a dois dias. Mas como é que, em mil anos, ainda não encontrou um que lhe agradasse?

- Uma princesa do meu nível merece um marido que seja extraordinário, inteligente, corajoso, arrojado, que cozinhe bem e goste de crianças... - começou a enumerar Selenia, no que foi interrompida pelo irmão.

-... e que saiba arrumar a casa e lave os pratos enquanto madame faz a sesta - completou Betamecha, felicíssimo por ter conseguido frear o ímpeto incontrolável da irmã.

- ... uma pessoa fora do comum, que entenda e proteja sua mulher até contra as besteiras de alguns membros da família! - prosseguiu Selenia, fuzilando o irmão com os olhos.

A princesa continuou sonhando em voz alta:

- Claro que ele tem que ser bonito, mas também justo e leal, e ter o senso do dever e da responsabilidade. Ele precisa ser infalível, generoso e iluminado!

Seu olhar fixou-se nos olhos de Arthur. O menino estava arrasado. Cada adjetivo soara como uma martelada em sua cabeça.

...

Zgłoś jeśli naruszono regulamin